
Imagem de Firmbee por Pixabay
Detalhes da música
Música: Parapeito
Compositor: Alan Sampaio
Intérprete: Grupo Terra (Ensaio)
Gravada durante os ensaios do Grupo Terra, de Iaçu.
Veja mais em:
Que tal compor a sua obra de arte? ‣ Jeito de ver

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Música: Parapeito
Compositor: Alan Sampaio
Intérprete: Grupo Terra (Ensaio)
Gravada durante os ensaios do Grupo Terra, de Iaçu.
Veja mais em:
Que tal compor a sua obra de arte? ‣ Jeito de ver

Imagem de skalekar1992 por Pixabay
O amor é o resumo,
mesmo que as palavras não descrevam plenamente a história
do começo ao fim.
O amor
o bercinho
os primeiros esboços de risos
o amor renovado…
A insegurança
os primeiros passos
as primeiras quedinhas
e a preocupação…
As primeiras palavras
e os risos orgulhosos de quem nos ama
A igualdade
as brincadeiras da infância
a primeira escola
A diferença
as dúvidas
as espinhas
o primeiro beijo.
Os erros
o choro
o medo de ficar só
O encanto
os primeiros encontros
o medo de errar novamente
Uma proposta
a certeza
o sim…
Um dia feliz
a festa
um susto.
A barriguinha
um cantar a noite inteira…
e suas primeiras palavrinhas erradas…
E então
rir com nossas crianças, novamente,
como nossos pais riam
e ver nossos adolescentes.
Novos traços, primeiras rugas
Ver novamente e pela primeira vez
os primeiros fios brancos
e talvez, tentar esconder novamente.
E então, filhos crescidos
e, eternas crianças, ganhando asas…
As velhas preocupações
o cansaço dos anos de serviço
um amor renovado a cada dia.
Ver então,
nossos cabelos totalmente prateados, escassos
resumindo tudo,
e não pouco.
E cabelos como a neve e a pele enrugada
nos mesmos traços, lindos,
coisas que só o amor pode ver.
E então,
abrir os olhos pela ultima vez
e contemplar novamente a mesma pessoa amada
E lembrar, de tudo…
Do começo ao fim
e poder fechar os olhos,
em paz.
Leia mais em: Do fim ao começo (a vida ao inverso) ‣ Jeito de ver

Imagem de Jose Araica por Pixabay
Sabe aquelas canções de ritmo pulsante, repetitivo e que muitas vezes choca pela agressividade e obscenidade das letras?*
Calminha, eu não estou falando de alguns pagodes da Bahia. – Não neste Post.
Falaremos um pouco sobre o Funk no Brasil, suas origens e influências.
Se no Brasil, a Bossa Nova crescia no final dos anos 1950 e no início da década seguinte se tornava popular entre jovens de classe média alta, filhos de pais ricos e com cargos influentes na sociedade e nos governos da época…
Nos EUA os jovens negros curtiam algo bem mais politizado, bem mais provocador.
Se por aqui, os jovens que amavam o estilo João Gilberto de sussurrar perfeitamente letras e acordes dissonantes naquela fusão do jazz norte americano com o samba brasileiro, e tinham tempo livre para ver “o barquinho a navegar no macio azul da mar” e viver o romantismo de quem sabia”que iria te amar, por toda a vida…”
Lá, do outro lado, os jovens tinham pressa, queriam mudanças. Passavam a admirar ícones como James Brown e Miles Davis.
Esqueça toda a calma e paz da Bossa Nova – o Funk é bem diferente…
O Funk cresceria em outro solo… a água, porém, viria quase da mesma fonte.
Ambos são influenciados pela música negra americana e entre muitos estilos, compartilham um pouco da vibe do R&B, Soul e do Jazz.
As origens do jazz, que influenciaram a bossa nova, remontam às festas de escravos que parodiavam os estilos dos colonizadores, à mistura de ritmos tribais e também às jams Sessions de Blues ( se é que se pode chamar assim!) .
O Jazz era a fusão de muito estilos.
Negra em suas origens, essa fusão carregava também um pouco de banzo – canção que expressava a tristeza e era cantada melodicamente em repetições de frases e improvisos por escravos em campos de algodão.
O banzo narrava o sofrimento, a ânsia de libertação e a saudade de um mundo que não mais existiria, desde que foram sequestrados e vendidos como mercadorias.
A expressão deste sofrimento é clara nos blues do Delta do Mississipi nas primeiras décadas do século XX.
O Funk foi desenvolvido pela comunidade negra nos Estados Unidos no início da década de 1960, quando a mesma ânsia de libertação ganhava força num país preconceituoso, onde a segregação racial era questão política e os negros lutavam agora pela igualdade.
É notório que em países como o Brasil, após a lei que abolia a escravidão, havia um projeto de lei que indenizava os donos dos escravos com grandes compensações monetárias, face à pressão de antigos” proprietários”, ao passo que os escravos, os maiores prejudicados pelo sistema, foram totalmente esquecidos – sem nenhuma compensação ( e às vezes, sem a própria roupa do corpo!).
Fonte: Indenização aos ex-proprietários de escravos no Brasil – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)
Documentos relativos à escravidão, registros de compras e vendas de escravos, que poderiam atualmente ser úteis ao entendimento da história foram destruídos no início da república, para dificultar as coisas aos donos de escravos que pleitevam uma compensação pelas perdas decorrentes da abolição.
O mesmo Brasil que não ofereceu condições para que os negros tivessem uma estrutura social, objetivando um povoamento maior da região sul, agraciou ( com toda a sorte de incentivos ) a europeus, dando desde casa a ajuda financeira para que estes tivessem condições de se estabelecer na preconceituosa terra brasilis.
700 mil libertos não tiveram acesso a terra e nem à educação.
Foram condenados a viver nas partes menos favorecidas da cidade.
Será que mudou muita coisa por aqui?
Os negros eram vítimas de grupos racistas, eram proibidos de ter acesso à educação igualitária e não podiam sequer usar os mesmos transportes públicos ou os mesmos banheiros que os brancos – muitos foram covardemente assassinados!
Neste ambiente politizado, o blues, o jazz e o Soul ganharam novas abordagens em suas letras.
E agora, um pulsante novo ritmo trazia a alegria, o protesto e a sensualidade ao movimento.
Sensualidade? Isso mesmo, era comum entre os músicos negros americanos na época usar a expressão “Coloca um pouco mais de Funk nisso aí”, quando queriam mais sensualidade, mais ousadia, mais provocação nas interpretações.
No início dos anos 1970 cantores como Tim Maia e Tony Tornado traziam a influência das Soul Music e do R&B americanos para os solos tupiniquins.
Nessa época, eram organizados no Canecão, casa de espetáculos famosa no Río de Janeiro, encontros conhecidos como Bailes da Pesada, onde o Funk era a “Novidade”!
Com o tempo essas festas acabaram e os produtores passaram a promover bailes regados a Rhythm’ Blues, Soul e advinha?
-O Funk!
Apesar da variedade , o termo Baile Funk popularizou esses encontros.
Assim como as antigas canções caipiras eram inspiradas na nostalgia do homem do campo que se mudou para a cidade e a tristeza de quem ficou para lidar com a suscetibilidade do clima, a jovem guarda se inspirava nas paixões juvenis e amores, por vezes, não correspondidos, a bossa nova se inspirava no otimismo de tudo, o Tropicalismo na busca de mudanças e o sertanejo universitário…bem, esse eu não consegui entender a inspiração ainda … (risos) o Funk se inspira nas realidades e nos desejos dos seus compositores.
A expressão de raiva, a desconfiança nas leis e por vezes, o louvor a nomes do crime são reflexos de uma sociedade abandonada pelo estado, em que a ” lei e a segurança” estão a cargo de milícias e outros criminosos.
Uma sociedade que só é lembrada para fins de repressão.
A polêmica das Letras -2
As letras de quaisquer canções refletem a cultura e os valores a que são expostos os compositores.
Isso talvez explique superficialmente, pois há ainda uma grande variedade de estilos dentro do Funk: o Melody, o Pagofunk, o Brega Funk e o Proibidão que se caracteriza por letras pornográficas, a apologia ao tráfico e ao uso de drogas ilícitas.
Música é um reflexo da cultura e uma forma de expressão.
É necessário critério ao se analisar as vertentes musicais.
Aquilo que ouvimos influencia de modo positivo ou negativo as nossas emoções e como em tudo, o mesmo se aplica ao Funk.
Bossa nova e jazz: ‘um caso de influência recíproca’, segundo Tom — Senado Notícias
Como o funk surgiu no Brasil e quais são suas principais polêmicas? | Politize!
* A agressivade e obscenidade nas letras também são usadas com o objetivo de causar impacto, que é um método para gerar engajamento bem usado em nossos dias, nos mais variados estilos.
Leia também
Viver é mais que uma arte e a arte de viver nem sempre é fácil.
Seria comparável ao músico que dedicou sua vida preparando-se para aquilo que seria o seu mais importante recital e que na hora “H” é traído pela ansiedade. que não o deixa enxergar as linhas na partitura.
É como se as notas parecessem dançar, mudar constantemente de posição na pauta.
Traído pelas emoções do momento, vê as notas perderem sentimento e intensidade.
Enquanto isso a plateia triste, observa apreensiva, enquanto ele… sente o medo de errar pela segunda vez.
E o medo o paralisa…
Mas, como em toda a arte, viver exige perseverança, como a de um músico que não pensa em desistir.
Exige uma ação em cada oportunidade, uma reação a cada erro.
Exige a coragem de se levantar depois do tombo e de rir depois da vergonha.
Exige a humildade de ver outros cruzarem a ponte enquanto não é a sua vez.
Exige traçar rabiscos, antes de completar o quadro.
E se os rabiscos, não estiverem certos…apagá-los e começar tudo, novamente.
Exige-se reler a partitura, sim, decorar a folha inteira, se necessário.
Repeti-la um milhão de vezes, até que todas as notas estejam nos tempos e lugares certos.
Para depois desse esforço maior, sentir uma alegria multiplicada por cada segundo que se planejou acertar.
Viver, é sim, mais que uma arte.
Lamento dizer…
mas o bonde está passando.
Você talvez não se lembre,
mas quando você apareceu por aqui, você chorava.
Não estranhe, por favor,
todos os que pegam a próxima parada
também saem chorando
Enquanto outros ficam a chorar também,
olhando pela janela
os que descem.
Com o tempo você vai entender
que você perdeu uma boa parte da viagem
mas o bom é que a sua viagem começa aqui.
Você conhecerá um monte de gente
boa e má
pois muitos se conheceram nessa linha,
aqui se apaixonaram, amaram, se decepcionaram, amaram novamente
tiveram filhos, construíram uma história
Outros decidiram viajar sozinhos…
e foram felizes, mesmo assim.
Alguns abraçaram
o que outros deixaram partir
Alguns desistiram da viagem no meio do caminho
Outros foram obrigados a sair…
quando isso aconteceu
infelizmente, eu não pude parar.
Esse bonde corre em apenas uma direção
Não para, nem pode voltar.
Você às vezes terá pressa
noutras, você vai querer que o bonde ande bem devagarinho.
Ficará chateado e desapontado uma porção de vezes
noutras, você você vai esquecer estes momentos,
destes acidentes de percurso…
Talvez você veja até mesmo o amor de sua vida
descer no meio do caminho…
ou mudar de assento.
Isso pode acontecer
Mas, não desanime,
o amor sempre acontece nesta viagem
Não deixe que os desastres do caminho te façam desistir de amar
de ser feliz…
A viagem é única… aproveite!
aproveite as experiências
as companhias
o trajeto
Viva a estrada…
Pois,
lamento te dizer, uma hora
você também terá que abandonar a este bonde
E que outros assim como você, entrarão chorando…
os que te amam, ou te odeiam, te verão apenas pelas janelas
e delas chorarão.
E você não saberá, nem mesmo lembrará
desta viagem apressada
assim como não lembra como entrou aqui
Neste bonde
implacável
chamado tempo.
Gilson Cruz
Veja mais em: Presos ( Onde está a tua liberdade?) – Jeito de ver.
O Termo “Brega”, para se referir a certas músicas, tornou-se popular na década de 1970, ganhou força nas décadas de 1980 e 1990 e é, hoje, um estilo musical no Pará.
Mas, calma… as coisas não são tão simples assim…
Um pouco de história.
Das décadas de 1940 a 1960, na era de ouro do Rádio, as canções mais populares eram as românticas. As interpretações transmitiam o sentimento por trás das letras nas melodias românticas e o drama em letras bem tristes (é verdade que às vezes, até exageravam um pouquinho no modo de expressar – “Tornei-me um ébrio”, Vicente Celestino é um excelente exemplo de interpretação dramática!).
Você consegue imaginar a dor imposta por Silvinho ao cantar: “Essa noite eu queria que o mundo acabasse, e para o inferno o Senhor me mandasse, para pagar todos os pecados meus...”(?)
Ou o Orlando Silva ” Tu és a criatura mais linda que meus olhos já viram, tu tens a boca mais linda, qua a minha boca beijou…” (?)
O estilo de canto nas décadas anteriores eram influenciados pelo modo de cantar italiano e de países latinos, quanto aos arranjos musicais orquestrais eram também simples, as letras eram bem trabalhadas, lindas, poéticas.
Por fim, na década de 1960, o aparecimento de novos estilos como o Rock’n roll, Bossa Nova e a Tropicália (já quase no fim da década) despertou o desejo de partir para novas experiências.
E então, os jovens de classe média e alta passaram a se referir às canções e ao a estilo dos cantores das décadas passadas como sendo cafonas (que vem do italiano cafone, que significa camponês, indivíduo rude, estúpido), que significa de “péssimo gosto, sem elegância, espalhafatoso”.
A moda agora era a bossa nova, com arranjos marcados pela dissonância dos acordes, num estilo que soava semelhante a uma mistura do samba nacional desacelerado com o jazz americano.
As canções que não se ajustavam aos sofisticados novos arranjos não eram aceitas por essa “nova elite” como sendo música de qualidade.
Enfim, com a chegada da Tropicália, que fundia as influências regionais com o Rock, o declínio do Iê-iê-iê (conhecido hoje como Jovem Guarda) e da Bossa Nova, a música brasileira ganhava agora uma marca pela qual é conhecida até hoje: MPB.
MPB, Música Popular Brasileira, é o termo que define canções com arranjos melódicos um tanto mais complexos e letras bem trabalhadas.
A “elite” amava a MPB (alguns militares nas décadas de 1960 e 1970 não, mas isto é outra história! – Pra não dizer que não falei de flores…) e olhava a música mais popular com um certo desprezo.
Canções com arranjos simples, que falavam de amor de modo simples, canções engraçadas ou que não se ajustassem a determinados gostos perderam a alcunha de “Cafonas” e passaram a ser chamadas “Bregas”.
A origem da palavra Brega é controversa, uma das explicações é que ela é derivada de Chumbrega que significa “de má qualidade, ordinário, reles”.
Sentiu um pouco do preconceito? – Pois era isso mesmo!
Mas eram essas canções que vendiam MUITO!
As grandes gravadoras mantinham, às vezes, dois selos, como a Polygram, que tinha a Polydor. Enquanto um selo era responsável pelas gravações de cantores da chamada MPB a outra era especializada em gravar músicas mais comerciais.
O interessante da história é que os chamados cantores bregas vendiam muito mais que os cantores MPB e as gravadoras sabiamente usavam o lucro dessas vendas para produzir novas obras de arte, de cantores de vendagens menos expressivas.
A palavra brega como adjetivo é usada de modo depreciativo, mas quando usada como substantivo designa um ritmo paraense que tem influências nas músicas caribenhas, na lambada e na jovem guarda.
Resumo: O que ficou conhecido pelo nome Música brega não é um estilo ou um ritmo.
A música brega é na verdade um conjunto de canções populares, com arrranjos simples, que falam de amor de forma simples e que tratam da realidade de pessoas comuns. Por isso são canções bem comerciais.
Uma questão pessoal
E quando se trata de gostar… quem se atreve a dizer o que os outros devem gostar?
Podem influenciar para o bem ou para o mal, é verdade, mas a decisão será sempre pessoal.
Música é música.
– Você pode gostar ou não. Ouvir ou não!
E como dizia o Cazuza: “O amor é brega”.
Então… esqueça o rótulo!
Esteja aberto aos vários estilos e curta aqueles que mais identificam a sua personaldiade.
Gilson Cruz
Leia mais em
E o parque chegava na cidade!
Os brinquedos não eram tão sofisticados assim, mas as crianças lá do interior faziam a festa.
As rodas gigantes não eram tão gigantes, eram razoavelmente pequenas, mas que graça teria se anunciassem:
“Ele está de volta, o seu parque de diversões favorito, com muitos brinquedos ( na verdade, se resumiam a apenas sete!) e a incrível, magnífica, espetacular RODA pequena?”
As crianças corriam feito loucas de brinquedo em brinquedo, os pais perdiam a cabeça – mas, era festa.
Crianças tontas no chapéu mexicano, adolescentes tentando impressionar adolescentes e perdendo dinheiro no tiro ao alvo e o sistema de som, com seu locutor, peculiar, tentando dar aquela forcinha àqueles jovens que sonhavam com suas paixões – e que agora, naquele parquinho, poderia ter uma oportunidade a se declarar ( e pagar, alguns trocados…)
E foi lá, que como qualquer outro jovem, calça curta, pedi a música da Júlia…
Ela estava de vermelho, lacinhos brancos, sorriso tímido e amava a valsinha…
E quando lá no alto da roda gigante, ela estava, a sua música tocava
– ela, corada, sorria timidamente, e esperando a hora de parar daquele brinquedo, que se tornara gigante, lento e provocador…eu fiquei.
E, por eternidades, a fio, aquela roda não queria parar…e quando parou, então, segurei a sua mão…
Julia, sorriu, mas, os seus país a levaram, já era tarde…
Enquanto as crianças gritavam, corriam, destruíam tudo o que não podiam – eu via o adeus da Júlia.
E a música ficou no ar, naquele tempo…
Enquanto as crianças brincavam.
E o parque se preparava para partir.
Gilson Cruz
Veja mais em: O tempo ( Contador de histórias) – Jeito de ver.

Imagem de Gloria Kaye por Pixabay
É preciso admitir que nem sempre as palavras certas virão
quando precisarmos falar,
nem as atitudes corretas
nos momentos delicados e precisos.
É preciso aceitar que nem sempre
seremos os primeiros a chegar
e que, às vezes, sequer chegaremos…
É preciso aceitar que nem sempre
nos equilibraremos quando soltarem as nossas mãos
e, certamente, daremos com a face na terra…
É preciso também aceitar que nem sempre
seremos amados ou odiados,
e que nem sempre conseguiremos retribuir o amor
a quem merece
e que nos mostrou sem hesitar.
É preciso…
É preciso admitir
que, muitas vezes, fomos tolos,
que erramos ao julgar
e que fomos mal julgados,
e que não éramos tão necessários quanto queríamos
em algumas ocasiões.
É preciso…
É preciso admitir, aceitar que erramos…
e que ainda é tempo de fazer o melhor,
e fazê-lo.
É preciso.
Veja mais em Do fim ao começo (a vida ao inverso) – Jeito de ver
E se as coisas acontecessem na ordem inversa?
Os olhos se fechariam,
e os olhos, então, se abririam pela última vez,
para olhar agora com dificuldade os cabelos também brancos da pessoa amada,
A visão fraca, cabelos brancos como a neve e a pele enrugada
Os mesmos traços lindos,
sim, coisas que só o amor pode ver…
E nossos cabelos totalmente prateados, escassos, resumiriam tudo
e não foi pouco…
Veríamos
um amor que foi renovado a cada dia.
O cansaço dos anos de serviço
as velhas preocupações…
Veríamos nossas eternas crianças, ganhando asas…
E então, filhos crescidos…
Talvez tentássemos esconder novamente
os primeiros fios brancos
Veríamos novamente, e pela primeira vez
novos traços, primeiras rugas…
E veríamos nossos adolescentes
riríamos com nossas crianças novamente
e suas primeiras palavrinhas erradas…
Teríamos um chorinho de madrugada
um cantar, a noite inteira…
Recordaríamos
A barriguinha
um susto
a festa
um dia feliz…
O sim…
a certeza
uma proposta
O medo de errar novamente
Os primeiros encontros
o encanto
o medo de ficar só
o choro
Os erros
O primeiro beijo…
as espinhas
as dúvidas
a diferença
a primeira escola
as brincadeiras da infância
A igualdade
Os risos orgulhosos de quem nos ama
as primeiras palavras
o amor e a preocupação…
as primeiras quedinhas
os primeiros passos
A insegurança
O amor renovado…
os primeiros esboços de risos
o bercinho
O amor…
Mesmo que as palavras não descrevam tudo do começo ao fim…
o amor é o resumo de tudo.
Se você gostou do texto…
por favor, leia, do fim ao começo.
Veja mais em: Esse bonde chamado tempo ( Hora de partir ) – Jeito de ver.

Imagem de PayPal.me/FelixMittermeier por Pixabay
O Sol estava ansioso com a chegada da noitinha
ele a viu uma vez, de relance.
Ela linda,
brilhante,
parecia sorrir, lá do outro lado.
Desde então, planejava todos os dias um modo de vê-la.
“Mas, Sol e Lua não convivem sob o mesmo teto” – você talvez pense.
Pensava o sol:
“Como passar um dia ao lado dela
sem mudar os ciclos?
sem ofuscar seu brilho?”
E por anos, séculos, milênios
enviava o calor do seu amor em raios que atravessavam a terra
e que refletiam graciosamente na face da lua,
que se animava por instantes
e contava seus sonhos às estrelas…
“Impossível” – diziam algumas
“Loucura!” – diziam outras
“Que sonho!” diziam outras algumas
E a cada dia,
estavam contentes de poderem se ver apenas por raros instantes.
Até que um dia, num ímpeto
apaixonado,
se encontraram
se olharam de perto
e juraram amor eterno
num abraço,
de olhos fechados
num eclipse.
E o impossível talvez exista, é verdade.
Mas vou te contar um segredo, não tão secreto assim…
de vez em quando os dois se encontram
em instantes de abraços
na imensidão de um mesmo céu.
Veja mais em: Do fim ao começo (a vida ao inverso) ‣ Jeito de ver
Palavras de 2023 – o ano que passou! ‣ Jeito de ver