A arte como objeto de competição

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Você já percebeu que a arte, em especial a música, tem sido objeto de competição na televisão em programas como o The Voice, Superstar e coisas do gênero?

Por que isso acontece?

Primeiro, precisamos entender que o objetivo primário de programas desse tipo não é descobrir novos talentos ou garantir a manutenção da carreira de novos artistas.

Sim, se você acreditava nisso, é hora de acordar…

Lembre-se: o objetivo da televisão é gerar audiência e, consequentemente, lucros.

Então, que tal examinar os festivais de música e a sua consequente transformação em arenas musicais?

Como surgiram as torcidas musicais? De que modo o público foi infantilizado?

Vamos embarcar nesta jornada de festivais… com muita música! (Mas sem competir… está bem?)


Da celebração à competição: quando a arte virou disputa (e o que isso nos diz sobre nós mesmos)

Woodstock – O festival de celebração

“As futilidades são justamente o que move a humanidade!” – ouvi esta frase em algum lugar!

Mas as pessoas realmente precisam de pequenas coisas para que a vida seja mais significativa.

O problema acontece quando as pequenas coisas ganham grandes proporções…

Como o papo aqui é sobre Festivais de Música, vamos mergulhar nessas fontes.

Em 1969, quando jovens estadunidenses de famílias menos privilegiadas eram enviados para a vergonha da Guerra do Vietnã, um grupo de pacifistas se reuniu para um projeto: oficialmente, “3 Dias de Paz e muita Música”.

O conhecido festival de Woodstock.

Aquele festival histórico reuniu cerca de meio milhão de pessoas em uma fazenda em Bethel, Nova York.

No projeto: três dias de Paz e Música.
Na prática: um grande experimento de utopia, onde jovens celebravam a música, o pacifismo em plena Guerra do Vietnã, a liberdade e a contracultura.

Bem…

Choveu? Choveu, pra caramba! O lamaçal? – De causar inveja a Caranguejo!

Faltou comida? Faltou!

As estradas? Uma bagunça… um caos.

Mas o espírito?

Esse permaneceu firme: voluntários da comunidade Hog Farm distribuíam alimentos, equipes médicas atendiam quem precisava, e o povo dividia o que tinha — barracas, água, cigarros, abraços.

E, pasme: apenas três mortes (algumas fontes dizem duas!) em meio a meio milhão de pessoas.

E naquela festa duas criancinhas vieram ao mundo!

Não é pouca coisa.

Como resumiu Max Yasgur, dono da fazenda:
“Vocês provaram ao mundo que meio milhão de jovens podem viver juntos em paz.”


As lamas no caminho…

Só que… algo mudou no caminho.

Apesar do sonho, os artistas que se apresentaram no Festival estavam lá a trabalho, e eles também precisavam de dinheiro para viver.

É duro saber que a vida não é uma eterna festa, não é verdade?

Com o tempo, novos festivais aconteceram; outros foram remodelados, de modo que o espírito do compartilhamento foi dando lugar ao da competição.

O que era festa virou concurso.
O que era celebração comunitária virou disputa por holofotes.

Woodstock faliu, não no propósito — mas no método.

A entrada acabou liberada quando as multidões romperam as cercas, e o festival se tornou gratuito.

Já os eventos posteriores passaram a buscar lucro — muito lucro.

Daí surgiram os realities musicais como American Idol (2002) e seus derivados. O talento virou produto: patrocinadores, votos pagos, contratos engessados.


A liberdade dos festivais X a prisão dos realities

Em Woodstock, Jimi Hendrix distorceu o hino americano em protesto contra a guerra.

Em muitos realities, o objetivo do participante é apenas cantar direitinho o sucesso do momento e agradar ao júri.

O novo virou cover.

E aquela inclusão toda? Lá na fazenda em Bethel, hippies, famílias, veteranos de guerra se misturavam.

Já nos realities, há filtros: quem tem uma “história comovente”, visual de estrela e disposição para virar personagem de novela.

Os realities viraram uma fábrica — de talentos, sim, mas também de dramas.

A arte cedeu lugar ao entretenimento: cortes emocionantes, conflitos entre jurados, candidatos chorando no palco… tudo isso dá mais audiência do que música autoral.

Estudos mostram que jovens fãs desses programas tendem a valorizar mais a aparência e o drama do que a habilidade artística em si.


E por que essa sede por competição?

Porque vivemos na sociedade do espetáculo.

Nada é tão “reality” assim…

A lógica é simples: em tempos de excesso de informação, o que prende nossa atenção é o conflito.

O reality Big Brother (lançado em 1999) elevou isso ao máximo: provas humilhantes, isolamento, eliminações em praça pública.


E a meritocracia?

Alguns programas vendem a ideia de que “qualquer um pode vencer”.

Só não contam que os candidatos muitas vezes precisam arcar com viagens, roupas caras, abandonar o emprego e estar prontos para contratos que tiram autonomia.

Após vencer o American Idol, Kelly Clarkson assinou com a RCA Records e alcançou sucesso imediato com o single “A Moment Like This”, que liderou a Billboard Hot 100.

Seu álbum de estreia, Thankful (2003), estreou no topo da Billboard 200, e o segundo, Breakaway, tornou-se seu maior sucesso comercial, vendendo mais de 12 milhões de cópias e rendendo dois Grammy Awards.

Em 2007, lançou My December, um álbum mais autoral e criativo, que gerou conflitos com a gravadora por ser considerado menos comercial.

Pois é, Kelly Clarkson precisou brigar para poder escrever suas próprias músicas!

E assim, de Woodstock a William Hung, da distorção do hino por Hendrix ao cover obrigatório dos realities, muita coisa se perdeu na travessia.


Festivais que celebram a arte

Existem vários Festivais de Música.

Um dos destaques é o Festival de Inverno de Lençóis, na Bahia. O evento busca fomentar o turismo local durante a baixa temporada e promover a cultura da região.

O que esperar do Festival de Inverno de Lençóis:

Música:
O festival conta com diversas atrações musicais, com foco em artistas locais e regionais, além de nomes conhecidos do cenário nacional, como divulgado em outras edições.

Natureza:
A localização privilegiada de Lençóis, na Chapada Diamantina, oferece paisagens deslumbrantes e oportunidades para atividades ao ar livre, como trilhas e passeios.

Cultura:
O festival também promove a cultura local, com apresentações de artistas, grupos folclóricos e outras manifestações culturais da região.

Gastronomia:
A parceria com o Sabores da Terra – Festival Gastronômico Itinerante – garante uma experiência que valoriza os produtores locais, com pratos típicos e produtos artesanais.

Turismo:
O festival é uma oportunidade para impulsionar o turismo na região, atraindo visitantes de diversas partes do Brasil e do mundo, que buscam a beleza natural e a cultura de Lençóis.

– Informações extraídas de um informativo sobre a cidade de Lençóis, na Bahia.

Apoiar artistas independentes ou festivais locais pode fomentar novas utopias.

Reinventar a lógica: talvez a resposta esteja em iniciativas como o Tiny Desk Concerts (YouTube) ou Sofar Sounds, onde o foco volta a ser a música – sem jurados, sem votos, apenas compartilhamento.

“Woodstock foi um experimento social utópico, e justamente por isso faliu… mas seu fracasso nos mostrou que a arte pode ser um ato político de rebeldia contra a competição desenfreada.”

A “futilidade” que move a humanidade talvez seja justamente a busca por esses raros momentos em que a arte nos lembra: podemos ser mais que adversários.

As pessoas não iriam mais mostrar talento, iriam agora competir com artistas de gêneros e estilos diferentes… não é verdade?

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O que se dá nos realities musicais.

Realmente, a utopia “Woodstockiana” é o que se pode chamar de sonho impossível em tempos de capitalismo selvagem.

A ideia de haver “um vencedor” esconde o fato de que outras lindas obras, ressalto em diferentes estilos, estavam lá.


A infantilização do público

Citando os grandes festivais de MPB nas décadas de 1960-1980, o público transformou-se em torcida, vaiou e, o mais interessante, não se permitiu ouvir as outras canções.

Ligar a competição musical à perda da escuta ativa e à infantilização do público (transformado em “torcida”) não é um fenômeno novo: os festivais da MPB foram laboratórios disso décadas antes dos realities.


Festivais da MPB (1960-1980): Quando a plateia virou “torcida organizada”

Vaias como arma ideológica

  • Nos Festivais de MPB, durante os anos 60, cantores podiam ser vaiados ou ovacionados ao defender as suas canções. A plateia julgava não a qualidade musical, mas o alinhamento político da canção.

  • Lucinha Lins, Cibele e Cynara, Sérgio Ricardo e muitos outros intérpretes experimentaram as vaias de um público que não sabia aceitar aquilo que era diferente dos seus gostos musicais.

Poderíamos comparar a estética dos programas musicais dos anos 1960.

A rivalidade entre Jovem Guarda (festivais da TV Record) e a MPB engajada (TV Excelsior) refletia a polarização do Brasil pós-64.

Enquanto as canções da Jovem Guarda eram chamadas de “bobinhas” pela elite intelectual, Vandré era tratado como profeta (“Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, 1968).

O mito da “democracia musical”…

Os júris técnicos eram frequentemente boicotados pelo público, como um ensaio do que seriam os realities futuros.

Em 1967, a canção vencedora do Festival de Música Popular brasileira (“Ponteio”, de Edu Lobo) foi escolhida pela plateia, não pelos jurados. Um ensaio para a tirania do gosto popular dos realities.

Mas surge daí uma pergunta para reflexão: qual seria a audiência de tais programas caso não houvesse a competição?


A psicologia da competição – a busca pela audiência

Por que viramos “torcida”? A psicologia da competição

  1. Tribalismo cultural:
    Competições transformam arte em disputa de identidades.
    Torcer por um artista vira defender seu grupo (rock vs. sertanejo, esquerda vs. direita).

Lembro-me de uma frase que ouvi tempos atrás: “O brasileiro reduz o complexo a uma rivalidade de estádio.”

  1. Economia da emoção barata:
    Vaias e gritos geram engajamento instantâneo (e audiência). Lembrem-se: a audiência tem sido mais importante que a qualidade dos programas.
    A televisão explorou isso nos festivais e nos realities de música, editando brigas de fãs. Nos realities, roteirizam “rivalidades”.

  2. Morte da nuance:
    Quando 30 segundos decidem uma eliminação (como no The Voice), não há espaço para experimentação.
    Daí a ascensão de bangers (músicas explosivas) em detrimento de canções lentas ou complexas.


A superficialidade dos realities

Os realities musicais brincam com a inteligência dos telespectadores ao colocar no mesmo “ringue” cantores de vozes e estilos diferentes.

Os ouvintes não terão o privilégio de sentir a música, ouvir a letra… serão influenciados por preferências estilísticas.

Belos cantores, que sonham com o sucesso, estarão lá mais pela exposição que pela fé na estrutura do programa.


Comparemos dois modelos:

A Festa (Circo Voador, anos 80)
O Circo Voador era palco de bandas do rock brasileiro no início da década de 1980.

Cazuza erra a letra de “Exagerado”. Gritos: “Toca de novo!”

Sim, é verdade que Cazuza, durante um show no Circo Voador, errou a letra da música “Exagerado”.

É comum que artistas errem a letra de suas próprias músicas em apresentações ao vivo; muitas situações foram registradas em vídeo, com gritos da plateia pedindo para que os astros repetissem a música.

Artistas compartilhavam o palco (você podia curtir Barão Vermelho + RPM juntos, no mesmo palco!).

Reality (The Voice Brasil)
Sob pressão, o cantor desafina e se torna vítima de ataques e piadas no Twitter (o atual X) e demais redes sociais.

Errando a letra, pode não haver uma segunda chance.

Artistas sobem juntos no palco não para compartilhar.

São batalhas, onde dois cantores lutam por uma vaga.


Onde está o problema?

O problema está justamente no modo como nos habituamos a ouvir música.

A música deixou de ser o elemento principal; tornou-se pano de fundo de atividades cotidianas — e disso os realities se apropriaram magistralmente.

Aprenderam a explorar a futilidade!


Como resgatar a escuta?

A música está por aí, que tal dar uma chance?

  • Rodas de samba ou saraus periféricos: onde não há “vencedor”, só comunhão.

  • Algoritmos afetivos: playlists como Radio Woodstock no Spotify, que misturam estilos sem rankings.

  • Artistas rebeldes: como Liniker, que tem coragem de interromper shows para dizer: “Aqui ninguém vai vaiar ninguém”.

  • Os meninos do Madds, de Taubaté: que resgatam com personalidade clássicos das décadas de 1960 e 1970 e têm um excelente repertório autoral.

  • ou mesmo nos barzinhos, onde novos artistas procuram um espaço.

Lembre: “A competição é a zona de conforto do capitalismo.”

Futilidades movem o mundo, mas só as que lembram que somos humanos — não torcedores — sobrevivem.

Se há em sua cidade festivais onde o foco é o artista, a música e a diversidade da cultura, não deixe de prestigiar: esteja presente, curta o momento!

Permita-se influenciar pela arte, o que raramente se vê quando esta se torna motivo de competição.

E você, o que acha? Deixe o seu comentário abaixo e participe desse projeto com a gente.

Leia também: Propaganda musical e Empobrecimento cultural ‣ Jeito de ver


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Revisado por IA.

A Cultura da Tortura: Análise

Ilustração de um instrumento de tortura.
Cadeira de tortura

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A Cultura da Tortura: Da Inquisição às Investigações Policiais

Vamos refletir, neste post, sobre a cultura da tortura — seu surgimento, a figura dos falsos heróis e os paralelos entre práticas inquisitoriais e as caças às bruxas.

Enquanto alguns ainda tentam justificar a tortura como método de interrogatório, outros questionam sua eficácia e legitimidade. Afinal, haveria alguma justificativa real para sua aplicação?

A proposta aqui é simples: compreender, de modo direto, como essa cultura se perpetuou ao longo do tempo — inclusive em regimes como o nazismo — e como tantos torturadores se ampararam na ideia de que apenas “cumpriam ordens”.

Franz Stangl, comandante do campo de extermínio de Treblinka, disse certa vez em uma entrevista:

“Minha consciência está limpa. Eu estava simplesmente cumprindo meu dever…”

A Reação e o Clamor por Justiça

A reação imediata à barbárie é o clamor por justiça. A ausência de punição gera revolta.

É muito comum ouvirmos relatos de pessoas que decidiram “fazer justiça” com as próprias mãos, por meio de linchamentos.

Programas de televisão populares entre 1980 e 2010 exploravam crimes terríveis com sensacionalismo, apresentando histórias de forma a fazer o telespectador sentir a injustiça vigente no país.

Diante deste cenário, as pessoas clamam por mudanças.

Daí surgem falsos heróis, repetindo padrões históricos de séculos e séculos.

Na ânsia de “solucionar rapidamente” um crime e satisfazer o desejo de sangue da população, métodos cruéis foram aplicados em muitos inocentes.

Falsos Heróis

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Leia também: Contos de fadas – Um novo jeito de ver! ‣ Jeito de ver

Consulte o excelente site:

Armazém Memória – Armazém Memória

Como Ler um Poema? ( Como a vida deve ser)

Sem complicações…

Assim como a vida, os poemas não precisam ser complicados.

Um mundo de palavras, histórias e sentimentos cabe nas poucas palavras de um pequeno poema…

e cada um conta a sua história.

Se você sofreu, amou, perdeu, superou — tudo pode estar lá, nas pequenas palavras.

Mas… como ler um poema?

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A Síndrome do Vira-Lata: Uma Análise

Uma bela imagem do Brasil.
Introdução

Vivemos em um mundo onde culturas se encontram, se influenciam e, muitas vezes, se confrontam.

No Brasil, esse cenário ganha contornos particulares: por um lado, temos uma rica diversidade cultural; por outro, enfrentamos um sentimento persistente de inferioridade diante do que é estrangeiro.

Este artigo propõe uma reflexão sobre o conceito de superioridade cultural e a chamada “síndrome do vira-lata”, termo consagrado por Nelson Rodrigues.

Ao analisar também a influência do estilo de vida americano e os limites entre apreciação e apropriação cultural, buscamos compreender os mecanismos que moldam a forma como os brasileiros percebem sua própria identidade.

A Superioridade Cultural e a Síndrome do Vira-Lata:

Uma Análise Psicológica

O Conceito de Superioridade Cultural

A ideia de superioridade cultural implica que certos valores e práticas tornam uma cultura intrinsecamente melhor do que outras.

Historicamente, esse pensamento foi reforçado pela colonização, onde culturas dominantes impuseram seus costumes às consideradas “inferiores”.

Este é um trecho da crônica presente no livro
Crônicas do Cotidiano – Um Novo Jeito de Ver
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Luiz Gonzaga – O Rei do Baião

alt="Disco de vinil de Luiz Gonzaga"

Por muito tempo, as praças das pequenas cidades do interior nordestino ficavam lotadas de homens que se aventuravam em caminhões desconfortáveis ou ônibus em péssimas condições para o trabalho nas fazendas de corte de cana no Sudeste do Brasil.

Se expunham ao trabalho pesado, alguns morriam picados por cobras venenosas, outros penavam de saudade.

A bebida alcoólica fazia companhia ao sofrimento de muitos.

O Sudeste era símbolo de progresso, e o Norte e Nordeste eram vistos como símbolos de abandono e atraso.

Mas, como se deu isso?

A herança colonial

Esta é uma das heranças do período colonial, em que a exploração do território brasileiro foi feita de forma predatória e concentrada em ciclos econômicos regionais (a cana-de-açúcar no Nordeste, o ouro em Minas, o café no Sudeste).

À medida que o ciclo do café cresceu, especialmente no século XIX, o Sudeste passou a ter maior influência política e econômica.

Era onde estavam as elites econômicas e políticas…

Este é um trecho do texto presente no livro
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Leia também: A Evolução da Música Caipira no Brasil ‣ Jeito de ver

Baião: A Dança Nordestina de Raiz

Fonte: Wikipedia

Biografia de Luiz Gonzaga – eBiografia

A História do Blues: Da Dor à Emoção Profunda

Imagem meramente ilustrativa, Guitarra e Blues.

Apresentação:

Antes de ser um gênero musical, o blues é um grito — um lamento que ecoa da alma ferida, atravessa o tempo e encontra abrigo nas cordas de um violão, no sopro de uma harmônica, na voz rouca que canta sem pressa.

Nascido do sofrimento, moldado nas plantações do sul dos Estados Unidos e forjado na resistência de um povo, o blues não pede licença: ele invade, emociona, transforma.

Neste texto, você vai viajar pelas origens do blues, suas metamorfoses ao longo das décadas e as figuras lendárias que o eternizaram.

Vai entender como esse som, que brotou do chão batido e da dor ancestral, cruzou fronteiras, inspirou revoluções musicais e continua pulsando no coração de artistas modernos.

E, sobretudo, vai sentir — porque o blues, mais do que se explicar, se vive.

Prepare-se para caminhar por essas estradas sonoras que nos levam ao passado, mas falam, com surpreendente clareza, do presente.

As Raízes do Blues: Um Grito de Sofrimento

O blues surgiu nas comunidades afro-americanas do sul dos Estados Unidos, no fim do século XIX e início do XX.

Suas origens estão profundamente ligadas às dores da escravidão e às lutas diárias dos seus descendentes.

Os primeiros músicos, muitos deles trabalhadores rurais, transformaram o sofrimento em canção — narrando perdas, opressão e a persistência em sobreviver.

Mais do que um gênero musical, o blues nasceu como um reflexo visceral da condição humana, transmitido pela emoção crua e pelo som carregado de verdade.

Suas raízes fincaram-se nos cantos de trabalho, nas canções de campo e nos hinos entoados nas plantações.

Esses elementos moldaram sua estrutura melódica e rítmica, trazendo à tona um novo estilo, marcado pela improvisação e pela comunicação direta da dor e da esperança.

Instrumentos como o violão e a harmônica serviram de ponte entre as histórias de vida e o coração do ouvinte — traduzindo a realidade em arte.

O blues não se formou isolado.

Absorveu influências e dialogou com outros gêneros, criando um painel rico e em constante movimento.

A liberdade do jazz, o apelo espiritual do gospel e a energia crua do rhythm and blues coexistiram em seu universo, dando origem a novos caminhos — como o rock and roll.

Assim, o blues continua a ecoar, reinventando-se sem perder seu centro: a expressão sincera das emoções humanas.


Transformações do Blues: Evolução e Inovações

Desde seu nascimento nas margens do delta do Mississippi, o blues tem sido um organismo vivo, em constante reinvenção.

Inicialmente marcado por estruturas simples e intensas, logo começou a dialogar com novos estilos, sem trair sua alma.

Na década de 1940, essa fusão deu origem ao rhythm and blues, catalisando o surgimento do rock and roll.

Nomes como Muddy Waters e Howlin’ Wolf foram fundamentais nesse processo, trazendo o blues do campo para a cidade e para novos públicos.

Suas sonoridades, já elétricas, prepararam o terreno para um renascimento do gênero, mantendo vivo o grito que está na sua essência.

Com o tempo, o blues incorporou instrumentos elétricos, arranjos mais elaborados e uma produção moderna.

Artistas como Gary Clark Jr. e Joe Bonamassa são exemplos de como a tradição pode conviver com a inovação. Eles misturam o blues com elementos de rock e jazz, preservando sua profundidade emocional enquanto abrem novas trilhas.

O blues é, portanto, um gênero dinâmico, que absorve sem se perder, que evolui sem se apagar. Sua transformação é uma celebração de sua resiliência — um testemunho de que dor, quando transformada em arte, atravessa gerações.


Pioneiros do Blues: As Lendas que Moldaram o Gênero

A história do blues não pode ser contada sem mencionar os gigantes que o moldaram.

Robert Johnson, o lendário “rei do blues do Delta”, nasceu em 1911 e deixou um legado imortal com canções como Cross Road Blues e Sweet Home Chicago. Sua habilidade em mesclar melodia e lirismo pungente criou uma base que ecoa até hoje.

B.B. King, por sua vez, elevou o blues a novas alturas. Conhecido como “O Rei do Blues”, deu à guitarra elétrica um novo papel: o de voz da alma. Com faixas marcantes como The Thrill is Gone, levou o blues a plateias ao redor do mundo, tornando-se um símbolo de expressividade e resistência.

Muddy Waters foi quem trouxe o blues do campo para a cidade.

Em Chicago, nos anos 1950, com músicas como Hoochie Coochie Man, ajudou a criar um estilo urbano, poderoso e eletrificado. Seu trabalho não só redefiniu o gênero, como influenciou profundamente o rock e o jazz.

Esses artistas não foram apenas músicos; foram mensageiros de uma época.

Suas canções, além de emocionantes, refletiram as tensões sociais e raciais do século XX. Eles não apenas tocaram instrumentos — tocaram consciências.


Os Melhores Blues da História: Clássicos Incontornáveis

A força do blues também está em suas canções inesquecíveis.

The Thrill is Gone, de B.B. King, é um desses marcos. Sua melodia carregada de melancolia e sua letra profunda sintetizam a alma do blues e inspiram gerações de músicos.

Cross Road Blues, de Robert Johnson, é outro pilar. Composta nos anos 1930, evoca conflitos internos e espirituais, e se tornou símbolo de uma era.

Sua influência perdura, atravessando décadas e gêneros.

Hoochie Coochie Man, de Muddy Waters, representa a virada do blues rural para o urbano.

Com sua energia e ousadia, a canção ajudou a definir o estilo de Chicago e pavimentou o caminho para o blues moderno.

Essas obras não apenas marcaram época; elas continuam a dialogar com o presente. São testemunhos vivos de como dor e emoção podem se tornar arte, tocando o que há de mais humano em nós.

Leia também: A Evolução da Música Caipira no Brasil ‣ Jeito de ver

Banda Toto – Seus Sucessos e Dramas

A banda Toto foi formada em 1977, em Los Angeles, Califórnia
Sabe aquelas frases em uma música que você ouve uma vez e ficam gravadas na memória por um bom motivo?

Em uma dessas muitas viagens, escutei no rádio uma canção que dizia: “Assim que a eternidade for alcançada… terei esquecido você!”

Não sei se a frase se tornou especial por eu estar longe da minha família ou por causa da tristeza recente de ter perdido alguém querido. Só sei que ela permanece entre as mais belas que já ouvi.

A frase (em tradução livre) é da música I’ll Be Over You, da banda Toto.

Se você ainda não conhece o Toto, permita-me compartilhar um pouco da história deles.


A Formação e os Primeiros Anos

A banda Toto foi formada em 1977, em Los Angeles, Califórnia, por um grupo de músicos talentosos que já desfrutavam de carreiras bem-sucedidas como músicos de estúdio.

O núcleo era composto por David Paich (tecladista) e Jeff Porcaro (baterista), amigos desde a época do colégio e parceiros em diversos projetos musicais.

A formação inicial também incluía Steve Lukather (guitarrista), David Hungate (baixista), Steve Porcaro (tecladista) e Bobby Kimball (vocalista).

Esses músicos compartilhavam não apenas um profundo respeito mútuo por suas habilidades, mas também uma paixão por diversos gêneros, do rock ao jazz, passando pelo R&B e o soul.

A ideia de formar uma banda surgiu naturalmente, como uma necessidade de expressar o talento de uma forma que os estúdios não permitiam plenamente.

Desde o início, o Toto buscou um som acessível, mas que também refletisse suas ambições artísticas. Em uma cena dominada pelo rock progressivo e pela disco music, a banda encontrou um espaço próprio ao combinar elementos desses estilos.

Com composições elaboradas, arranjos criativos e um elevado nível técnico, suas primeiras músicas logo chamaram atenção.

Os primeiros shows foram bem recebidos, e a banda conseguiu rapidamente um contrato com a Columbia Records.

Seu álbum de estreia, Toto (1978), trouxe clássicos instantâneos como Hold the Line e I’ll Supply the Love, recebendo elogios da crítica e conquistando um público fiel.

A combinação de baladas marcantes e faixas mais enérgicas revelou a versatilidade do grupo, que já se apresentava como uma força promissora no cenário musical.

Os primeiros anos do Toto foram marcados por intensa criatividade e crescente sucesso, moldando um estilo que evoluiria ao longo das décadas.

A soma do talento individual e da busca por inovação estabeleceu as bases de uma carreira duradoura e significativa.


O Sucesso Avassalador de ‘Toto IV’

Lançado em 1982, o quarto álbum de estúdio do Toto, Toto IV, representou um marco na trajetória da banda.A banda Toto foi formada em 1977, em Los Angeles, Califórnia

Após recepções mistas dos álbuns anteriores, o grupo se dedicou à criação de um trabalho ambicioso e meticuloso.

O processo de gravação foi exaustivo, mas o esforço coletivo resultou em um disco que mesclava, com maestria, rock, pop e elementos da música clássica.

O álbum trouxe algumas das faixas mais icônicas do Toto, como Africa e Rosanna.

Com letras envolventes, harmonias ricas e arranjos precisos, essas canções cativaram público e crítica. Africa, com sua batida hipnótica e melodia inconfundível, rapidamente se tornou um clássico atemporal.

O impacto de Toto IV foi imenso: o álbum vendeu milhões de cópias no mundo todo e recebeu certificações de ouro e platina em diversos países.

Aclamado por sua excelência técnica e criatividade, conquistou seis prêmios Grammy, incluindo Álbum do Ano e Gravação do Ano por Rosanna.

Essas conquistas não apenas celebraram a habilidade dos músicos, mas também elevaram o Toto ao patamar de lenda da música internacional.

O sucesso estrondoso de Toto IV consolidou a banda no estrelato e garantiu seu lugar na história, tanto pela técnica quanto pela capacidade de emocionar e cruzar fronteiras musicais.


Mudanças na Formação e Desafios

Ao longo das décadas, o Toto passou por várias mudanças de formação, enfrentando desafios que, por vezes, ameaçaram a continuidade da banda, mas também abriram caminho para novas possibilidades.

Uma das primeiras mudanças marcantes ocorreu em 1982, com a saída do vocalista Bobby Kimball, cuja voz havia contribuído de forma decisiva para o som característico do grupo.

Apesar disso, a entrada de Joseph Williams em 1986 trouxe uma nova identidade sonora, ajudando a manter a relevância da banda.A banda Toto foi formada originalmente em 1977, em Los Angeles, Califórnia

Além das trocas de integrantes, o grupo enfrentou questões pessoais e profissionais que testaram sua união.

Problemas com drogas e tensões internas dificultaram a produção de álbuns e a realização de turnês.

Steve Lukather, guitarrista e membro fundador, assumiu frequentemente a responsabilidade de manter o grupo coeso.

A perda do baixista Mike Porcaro, em 2015, vítima de esclerose lateral amiotrófica, foi um golpe doloroso, que afetou profundamente a banda.

Apesar de todos esses obstáculos, o Toto conseguiu se reinventar. Cada nova formação trouxe influências diferentes, resultando em variações de estilo ao longo da discografia.

Essa resiliência não apenas garantiu a continuidade do grupo, como também revelou a paixão de seus integrantes pela música e pelos fãs.


Herança Musical e continuação

Desde sua origem nos anos 70, o Toto construiu um legado sólido na música mundial.

Com talento excepcional e uma abordagem eclética, a banda emplacou sucessos como Africa e Hold the Line, destacando-se pela qualidade técnica e pela habilidade de transitar entre gêneros.

Essa fusão de estilos influenciou gerações de músicos, muitos dos quais consideram o Toto uma referência essencial em suas trajetórias.

Mesmo após o auge da fama, a banda manteve-se ativa com novos lançamentos e turnês globais.

Álbuns como Kingdom of Desire e Mindfields, lançados nas décadas de 1990 e 2000, demonstram a capacidade de adaptação e evolução sem perder a essência que os tornou únicos.

As apresentações ao vivo continuam a encantar o público, oferecendo experiências musicais marcadas pela energia e virtuosismo.

Paralelamente ao trabalho com a banda, os integrantes exploraram projetos solo. Steve Lukather, por exemplo, lançou álbuns aclamados que evidenciam sua versatilidade como guitarrista e compositor. David Paich e Joseph Williams também seguiram contribuindo para a música em diversas frentes — como produtores, arranjadores e intérpretes.

Hoje, o Toto segue surpreendendo os fãs com novas músicas e shows. A formação atual, que reúne nomes clássicos e novos talentos, continua a criar e a emocionar.

Rumores sobre futuras formações mantêm vivo o interesse do público, provando que, mesmo diante das mudanças da indústria, o legado do Toto permanece forte, inspirador e profundamente relevante.

Leia também: A música atual está tão pior assim? ‣ Jeito de ver

Toto – Wikipédia, a enciclopédia livre

Dia das Mães: Origem e Impacto Cultural

Amor, consideração, confiança…

1. As Origens de um Gesto de Amor

Todos os anos, no segundo domingo de maio, milhões de pessoas ao redor do mundo dedicam um tempo para homenagear suas mães.

Mas o Dia das Mães, mais do que uma data marcada no calendário ou uma ocasião de compras, é uma oportunidade de voltar o olhar para algo essencial: o amor que nos gerou, acolheu e sustentou — mesmo nas fases mais difíceis da vida.

Essa celebração tem raízes profundas. Na Grécia Antiga, já existiam festas dedicadas às mães dos deuses. Mas a origem moderna do Dia das Mães nasceu nos Estados Unidos, no coração de um tempo de conflitos e transformações.

Ann Maria Reeves Jarvis, uma mulher sensível às dores do mundo, criou em 1858 os Mothers’ Day Work Clubs, com o objetivo de melhorar as condições de saúde das famílias operárias. Mais tarde, ela organizaria os Mother’s Friendship Days, tentando curar feridas deixadas pela Guerra de Secessão.

Poucos anos depois, a escritora Julia Ward Howe publicaria o Mother’s Day Proclamation, um manifesto pela paz. Mas foi a filha de Ann, Anna Jarvis, quem conseguiu transformar a ideia em realidade.

Em 1907, dois anos após a morte de sua mãe, Anna realizou um memorial em sua homenagem.

Aquilo que começou como um gesto pessoal se espalhou como um sopro coletivo. Em 1914, o Congresso norte-americano reconheceu oficialmente o segundo domingo de maio como o Dia das Mães.

Curiosamente, Anna Jarvis acabaria se afastando do movimento, desgostosa com a transformação da data em um evento comercial. Seu sonho era que as pessoas expressassem amor com palavras e gestos, e não com presentes obrigatórios.


2. No Brasil e em Países Lusófonos

No Brasil, a comemoração começou em 1918, em Porto Alegre, trazida pela Associação Cristã de Moços.

Em 1932, Getúlio Vargas oficializou o Dia das Mães, impulsionado por feministas que viam na data uma forma de valorizar a mulher e a maternidade em um momento importante da história brasileira — o ano da conquista do voto feminino.

Em 1947, a Igreja Católica incluiu a celebração em seu calendário litúrgico.

Já em Portugal e nos países africanos de língua portuguesa, o Dia da Mãe é celebrado no primeiro domingo de maio, em sintonia com o mês dedicado a Maria, mãe de Jesus.

Antes, a data era associada ao 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, mas acabou sendo transferida para o mês das flores e da ternura.

A data, embora comum a muitos países, carrega expressões culturais distintas. Em todas essas versões, porém, permanece o mesmo fio condutor: o reconhecimento da maternidade como força essencial da vida.


3. Entre a Emoção e o Apelo Comercial

Hoje, o Dia das Mães é uma das datas mais importantes do comércio, perdendo apenas para o Natal.

Amor, proteção…

Vitrines se enfeitam, propagandas se multiplicam, e a indústria encontra na figura materna um poderoso símbolo de consumo.

A National Retail Federation, por exemplo, estima que só nos Estados Unidos, os gastos com a data ultrapassam dezenas de bilhões de dólares anualmente.

Mas por trás das cifras e campanhas publicitárias, o que realmente conta é a memória. É o colo. É a ausência sentida. É o abraço ainda possível.

Em cada canto do mundo, mães seguem sendo força e abrigo.

Algumas já não estão aqui — mas permanecem. Outras lutam silenciosamente por seus filhos, muitas vezes sem reconhecimento. Celebrar esse dia é lembrar de todas elas. Das que cuidam. Das que educam. Das que resistem.

Mais do que um domingo especial, o Dia das Mães é um lembrete: o amor materno, em suas muitas formas, é uma das grandes forças que sustentam o mundo.

Leia Mais:

Fonte:

Dia das Mães – Wikipédia, a enciclopédia livre

Leia também: Palavras de uma Mãe (Poesia no Drama) ‣ Jeito de ver

Jeito de ver – O Fim de um Projeto

Editor WordPress

Imagem de Werner Moser por Pixabay

Começar um projeto, investir num sonho, é sempre uma aventura interessante.

A incerteza do sucesso, o temor da aceitação, a insegurança quanto aos apoios… Todo começo é carregado de dúvidas.

Lembro da ideia de criar um blog que tratasse dos mais variados assuntos: de poesias a crônicas, de histórias a músicas, de casos bem-humorados a reflexões.
Foi assim que nasceu o projeto Jeito de Ver.

A proposta era abordar cultura e história com um leve toque de humor.

A primeira ideia era falar um pouco sobre a cidade de Iaçu, no interior da Bahia, onde o projeto nasceu, em plena pandemia da Covid-19.

Em meio às perdas de amigos e conhecidos, à indiferença do governo da época e a poucas coisas boas para contar — restando apenas a esperança —, quis criar algo que ajudasse a elevar a autoestima e trouxesse algo diferente para se pensar.

Começamos com alguns colaboradores, que nos cediam poesias para publicação — e as publicávamos com prazer.
Mas o processo de divulgar cultura, às vezes, é um tanto cansativo, pois exige tempo, dedicação, e, muitas vezes, envolve custos sem retorno financeiro.

À medida que os desafios da divulgação se tornavam mais evidentes, logo a equipe se reduziu ao “bloco do eu sozinho”.

Com o tempo, pesquisar, editar e divulgar tornaram-se tarefas demasiadamente exaustivas.

Apoios…

Ainda assim, não posso me queixar da falta de apoio.

Lembro que, no início do projeto, tive o privilégio de conversar com o senhor Adalberto de Freitas, pioneiro da comunicação no município.

Das belas conversas, agendamos duas entrevistas que renderam matérias especiais, como Um pouco da História da Comunicação em Iaçu, em que falamos sobre os desafios de criar uma estação de rádio e dos projetos para lançar um livro com os Contos de Bugá, no qual ele relataria os caminhos percorridos até o sucesso da Rádio Rio Paraguaçu FM.

Falamos também sobre sua luta pessoal para manter o Museu da Arte e Cultura Rio Paraguaçu.

Prometemos trabalhar em conjunto: eu divulgaria a rádio e o museu em meu blog e, em contrapartida, teria meu projeto anunciado na Rádio Rio Paraguaçu.

Seria um acordo de cavalheiros! (risos)

Lamentavelmente, o amigo enfrentou problemas de saúde e faleceu dois anos depois.Logo do Blog Jeito de Ver - História e Cultura
Ficam a saudade e a gratidão.

Outros amigos também colaboraram com textos e músicas — somos gratos a todos eles!


Últimos passos do projeto

Entramos agora no último ano do Jeito de Ver, cujo encerramento está previsto para o início de maio de 2026.

Até lá, traremos poesias, histórias, sonhos e a certeza de que o apoio de todos os que leram e participaram — especialmente aqueles que ajudaram na divulgação — foi fundamental para que o blog alcançasse mais de 30 mil visualizações.

Talvez não sejam tantas, se comparadas às de grandes blogs, mas, nos primeiros meses — há três ou quatro anos —, eram apenas sete visualizações por mês. (risos)

Neste último ano do projeto, vamos oferecer ainda mais: mais cultura, comentários esportivos com Bruno Santana e o retorno de quadros antigos, como os Contos do Tio do Pavê.

Vamos juntos nessa viagem.

Obrigado pela companhia!

Leia também: Jeito de ver – Um novo jeito – o seu! ‣ Jeito de ver

A história do grupo Badfinger

A triste história de uma das melhores bandas de todos os tempos

Conheça o Badfinger

O rádio tocava a bela canção Without You, na voz de Mariah Carey…
Do outro lado da rua, um fã de Raul Seixas insiste no refrão de Tente Outra Vez…
E eu penso: “Isso é Badfinger!” (Ouça o refrão em Day After Day).

Você conhece aquelas histórias trágicas de bandas incríveis, que pareciam destinadas ao sucesso, mas acabaram naufragando? A história do Badfinger é uma dessas. E merece ser contada.

Nos anos 1970, o mundo buscava um novo grupo que preenchesse o vazio deixado pelos Beatles. E os meninos do Badfinger eram realmente bons.

Mas escolhas ruins, ingenuidade e um empresário inescrupuloso levaram a banda a um fim devastador.

O começo promissor

Formado em 1961, em Swansea (País de Gales), o grupo nasceu como The Iveys, com Pete Ham, Ron Griffiths, David ‘Dai’ Jenkins e Mike Gibbins. Começaram com covers de Beatles e Rolling Stones, até que o talento para composições autorais os levou mais longe.

Em 1968, foram descobertos por Mal Evans, assistente dos Beatles, que os levou até a Apple Records. Com o novo nome — Badfinger — lançaram Come and Get It, escrita por Paul McCartney.

O sucesso veio rápido.

Com melodias envolventes e harmonias vocais impecáveis, emplacaram sucessos como No Matter What, Day After Day e Baby Blue.

George Harrison os incluiu no álbum All Things Must Pass, e eles participaram do histórico Concerto para Bangladesh, em 1971. Pareciam destinados a ocupar um lugar permanente no panteão do rock.

A queda

Mas, nos bastidores, o empresário Stan Polley desviava dinheiro e manipulava contratos.

A má gestão corroeu a estrutura da banda, gerando desconfiança, estresse e prejuízos financeiros.

Pete Ham, principal compositor, não suportou a pressão.

Em 1975, cometeu suicídio, deixando uma nota em que denunciava a traição de Polley.

Em 1983, foi a vez de Tom Evans, baixista e vocalista, pôr fim à própria vida. A banda, que um dia brilhou ao lado dos Beatles, apagava-se tragicamente.

Um legado que resiste

Apesar de tudo, Badfinger deixou um legado duradouro. Suas canções continuam tocando — em rádios, trilhas de filmes, nas playlists de quem descobre suas melodias sinceras e atemporais.

Sua história é um alerta sobre os bastidores da indústria musical. Mostra que talento, sem gestão ética, pode não ser suficiente.

Badfinger não morreu.

Ainda ecoa.

E ensina.

Veja também A Importância Inegável dos Beatles ‣ Jeito de ver

Badfinger – Wikipédia, a enciclopédia livre

Que tal agora explorar algumas canções desse grupo incrível?

© Gilson da Cruz Chaves – Jeito de Ver Reprodução permitida com créditos ao autor e ao site.