Sabe aquele tipo de cantor que tem tudo pra dar errado? Carlos Alvinegro era um desse tipo.
Apesar da bela voz, da barba bem feita e do incrível talento, ele tinha um probema: Era sincero demais!
Não, não. Sinceridade não é aquilo que alguns confundem com grosseria. É a qualidade de dizer a verdade de forma honesta e sem falsidade, expressando os próprios sentimentos e pensamentos genuínos.
Ele sabia que ao longo do tempo suas canções vinham caindo de qualidade, mas o público continuava fiel – não importava as letras.
Ele tinha o apoio total da gravadora e sobreviveu às mudanças da era digital, passou a investir também no Sertanejo.
Bem, são tantos caminhos do Sertanejo que não sei exatamente em qual ele entrou.
Os empresários adoraram e a partir daí houve uma transformação brutal no estilo e nas letras do Carlos. Passou a falar de bois, tratores, soja, do romantismo que era ser empresário e comprar um monte de amores…
Ele tentou…
Mas, Carlos odiava tudo aquilo.
Não se identificava com a música engessada, as letras hipócritas e não raro iniciava os shows com palavras de carinho ao público, que podiam ser facilmente mal interpretadas:
-“Essa canção eu não fiz e não entendo o que a letra quer dizer, mas se vocês gostam… deve significar alguma coisa! Vocês são demais!!!”
A voz suave e o jeito amável de dizer tais palavras cativavam o público.
Assim como era comum no mundo musical, Carlos não compunha as suas próprias músicas. Ele apenas interpretava aquilo que os empresários mandavam cantar. Letras rasas para um grande público raso!
E foi assim por muitos anos, até que ele cansou. Brigou com todo mundo! Ele queria fazer as suas próprias músicas, voltar ao seu estilo!
Mas, os empresários não gostaram da ideia. Explicaram: “Se você quiser sair… a gente cria outro! O povo nem vai perceber!”
Carlos, chateado, sentindo-se usado pelo sistema, decidiu: “Vou estragar tudo!”
E, num estádio lotado, de pessoas da cidade, vestindo roupas de couro sintético, com celulares apontando para o palco, mecanicamente como das outras vezes, em meio às luzes coloridas e escuras do palco ele cantou:
Ouça (escute) a letra:
E o povo chorava, aplaudia, pedia bis.
Não escutaram nada. O público já estava estragado!
E foi o último show do desiludido Carlos Alvinegro.
Durante algum tempo, alguns acreditavam que, com a evolução tecnológica, o rádio se tornaria obsoleto e, com o tempo, deixaria de existir.
Com o advento da televisão e, depois, com as plataformas digitais, o assunto voltou a atrair a atenção. Mas o fato é que o rádio está vivo e respira sem aparelhos (me perdoem o trocadilho infame!).
As emissoras de rádio precisaram se adaptar à nova onda. Ao invés de resistência, era o momento de se abrir às mudanças, abraçar a tecnologia como uma aliada, mas sem perder a sua essência.
Por muitos anos, o rádio foi diretamente responsável pela formação musical de muitos ouvintes. Por exemplo, citaremos a Rádio Baiana de Itaberaba, AM 1030 KHz, fundada em 1977, e sua programação no início da década de 1980.
A Diversidade Musical e a Formação do Gosto Popular
Este é um trecho da crônica presente no livro Crônicas do Cotidiano – Um Novo Jeito de Ver Disponível na Amazon e Clube dos Autores
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